domingo, 3 de julho de 2016

Pequenos Delírios - Clarisse.

Clarisse estava aguardando Raimundo na saída. Ela também estava nervosa com a possibilidade de Mayumi descobrir sobre seu amigo. Juntos eles eram fortes, mas separados, eles de nada valiam contra um devorador de mundos. E ainda faltavam pelo menos quatro partes do quebra cabeças. 

Quando ela viu Raimundo saindo da escola, seu primeiro instinto foi de correr em direção a ele, mas sabia que aquilo era arriscado, ela era uma das "celebridades" da escola em matéria de beleza. Merlin conseguiu esconder sua real forma, mas não seus poderes de Succubus, mas nesse mar de crianças modificadas, Mayumi não a procuraria ali, deveria estar imaginando que ela fugiu pra nunca mais voltar.

Ela ainda conseguia lembrar da cara de susto daquele garotinho quando ela disse que estava com fome. Será que ele havia imaginado que ela iria devorá-lo? Esses humanos eram tão engraçadinhos e ela se sentia culpada pelo fim trágico que ele levou. Agora era só mais um experimento com a mente controlada por aquela mulher. 

- Clarisse, vamos?

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Makoto, que agora a ajudava a sobreviver, fingindo que eram irmãos.

- Claro! Vamos!

Clarisse estava querendo chegar logo em casa para tentar falar com Merlin. Como eles eram vizinhos, não era estranho que se cumprimentassem na rua e conversassem, mas ele a havia alertado que, na escola, ela deveria se comportar como a típica garota bonita e fútil que não fala com os amigos medianos. Algo como se ela fosse uma princesa e ele um plebeu, mas Merlin estava longe de ser um plebeu e Illiel estava longe de ser uma princesa. Se milênios atrás eles tivessem dito isso para Arthur, certamente o dragão teria tido rido até soltar fogo.

Calmamente ela se levantou, se despediu do grupo de meninos e meninas que estavam ali e ela foi com seu "irmão" para casa, estavam não muito atrás de Raimundo, mas como o menino nunca encontrava nada em sua mochila sem ajuda, eles acabaram o alcançando.

- Perdeu as chaves de novo? - brincou Clarisse.

- Pois é. - Respondeu Raimundo, aparentemente sem jeito. - Não sei o que acontece com essa mochila que nunca acho nada dentro dela.

Clarisse pensou em responder algo como "porque você expandiu o espaço dentro dela e a transformou num laboratório portátil", mas ela achou que aquilo não deveria ser dito ali. Por fim, ela apenas sorriu da forma mais meiga que podia.

- Quer ajuda pra procurar?

- Quero que você não hipnotize mortais com seus sorriso. - Respondeu Merlin baixinho, entre os dentes, enquanto notava que a companheira, sem querer, havia colocado Makoto num pequeno transe.

- Ah! Makoto! Sempre tão desligado. - Clarisse entendeu o recado de Merlin e ajudou o novo cúmplice a sair do transe.

- Meh... - Foi o que o jovem humano se limitou a responder para os dois.

- Achei minhas chaves! Viu aí? Tudo na mais perfeita normalidade.

- Tudo bem então!

Clarisse entendeu que aquilo foi um jeito dele dizer que não havia sido pego, mas sabia que ele sentia tanto medo quanto ela, mas não podiam fazer nada até aquele momento.

- Até amanhã Raimundo.

- Até amanhã.

- Até.

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