sábado, 18 de junho de 2016

Fobia Social



Porque algumas vezes a gente tem que sair da nossa zona de conforto e se expor.

Fobia Social


O Transtorno de Ansiedade Social, vulgarmente chamado de fobia social ou sociofobia, caracterizado por manifestações de alarme, tensão nervosa, medo e desconforto desencadeadas pela exposição à avaliação social — o que ocorre quando o portador precisa interagir com outras pessoas, realizar desempenhos sob observação ou participar de atividades sociais. Tudo isso ocorre até o ponto de interferir na maneira de viver de quem a sofre.
As pessoas afetadas por essa patologia compreendem que seus medos são excessivos e irracionais, no entanto experimentam uma enorme ansiedade e apreensão ao confrontarem situações socialmente temidas e não raramente fazem de tudo para evitá-las. Durante as situações temidas, é frequentemente presente nessas pessoas a sensação de que os outros estão as julgando e, enfim, tais sujeitos não raramente temem ser reputados muito ansiosos, fracos ou estúpidos. Por conta disso, tendem a se isolar frequentemente.


Bem, essa é a definição da Wikipedia sobre Fobia Social, a minha definição pessoal é que isso é uma grandiosa Merda! Com M maiúsculo, isso mesmo! E como eu sei? Ah! Não é tão difícil adivinhar vai... você consegue! ;)

Vivenciar isso é um desafio constante, com altos e baixos, crises e melhoras e, em alguns momentos, crises realmente inesperadas, como uma crise de pânico indo a um shopping, sem ter interagido com ninguém ainda, apenas o fato de estar muito cheio de pessoas que poderiam estar julgando minha roupa, meu cabelo, meu brinco, minha inteligência (eu sei, elas nem me conhecem, quem se importa?) Pois é, eu sei que é loucura e por isso eu me forço a tentar viver a minha vida da melhor forma que eu posso, mas tem dias que eu simplesmente não consigo. 

Encontrar com pessoas com quem eu me importo, ao menos um pouco, é um desafio razoavelmente grande, porque vejam bem, se eu não consigo controlar o medo com desconhecidos que eu tenho plena consciência que a opinião deles não faz nenhuma diferença na minha vida, imagina quando eu tenho que me encontrar com pessoas com as quais me importo e que eu REALMENTE me preocupo com a visão que eles podem ter a meu respeito.

“E como você tem uma vida social assim?”

Então, o que é isso mesmo? Tá. Eu me esforço, mesmo que as pessoas achem que eu não me esforço o suficiente, eu realmente me esforço e, muitas vezes, eu tenho uma crise de choro antes de sair de casa porque eu não quero ir, mas eu vou. Sem contar que rola uma preparação de pelo menos dois dias de antecedência repetindo que vai ficar tudo bem, que as pessoas com quem vou me encontrar não pensam o pior de mim, que elas gostam de mim e que vai ficar tudo bem. Mas daí eu saio com as pessoas, encontro com elas e tudo que eu penso é que elas provavelmente só em chamaram pra sair porque:
  • Estavam com pena de mim;
  • Queriam ver como eu estava pra dizer que eu estou mais gorda, mais feia, mais burra;
  • Estão me julgando porque continuo no mesmo emprego horrível há quinze anos;
  • Estão me julgando porque não consigo ter foco pra terminar uma faculdade (sendo que frequentar as aulas é uma tortura a parte pra mim);
  • Estão me julgando porque não consigo fazer novos amigos;
  • Estão me julgando ou bravas pelas últimas vezes em que não consegui controlar meu maldito pânico e furei com elas;
  • Estão secretamente criticando meu relacionamento, meu cabelo, meu peso, a cor dos meus olhos, do meu esmalte, ou qualquer  coisa em mim que elas certamente vão estar criticando, porque àquela altura dos acontecimentos, eu já não tenho mais tanta certeza se essas pessoas são minhas amigas mesmo, ou se estão falando comigo por pura educação, ou se me chamaram só pra ter um alvo/motivo/alguém pra falar mal e depois rir às custas da pessoa.

“Há quanto tempo você vem lidando com isso?”

Faz uns três ou quatro anos e algumas coisas agravaram exponencialmente  esse problema, que antes estava relativamente controlado.

“E você já pensou em procurar a ajuda de um psicólogo, psiquiatra, religião?”

Então, já. 

Aboli os psiquiatras da minha vida com remédios que meio que me dopam pra eu me sentir menos ansiosa. 

Psicólogos já foram três, mas a questão de não ser legal se sentir julgada e a maneira como alguns psicólogos abordaram os problemas comigo, me fizeram nunca mais voltar aos seus consultórios.

Religião é um problema a parte, uma vez que :

  • Tenho sérios problemas pra ter uma religião única, porque todas elas foram criadas pelo homem e não acredito que nenhum homem seja detentor da verdade absoluta do universo pra acreditar que existe apenas uma religião certa no mundo. Mas eu acredito em uma força superior que nos rege e guia nossa vida e acho que as pessoas devem ter o direito de chamar a essa força como se sentirem mais confortáveis. Deus, Chi, Oxalá, etc;
  • Religiões envolvem contato social e, muitas vezes, um comprometimento que eu não sou capaz de ter devido à questão da fobia social;
  • Eu não tenho certeza se eu tenho fé suficiente em alguma religião para me apegar a ela o suficiente para achar que meu pânico vai passar só por estar ali.

“Mas você sempre tem pânico? Tipo, pra encontrar com todo mundo?”

Então, não.

Minha família e pessoas que eu conhecia e tinha uma boa relação antes do problema começar não me causam pânico.

Pessoas que eu não conhecia e/ou com quem eu tinha uma relação não muito boa, ou incerta e nebulosa me causam pânicos eventuais.

“E o seu namorado?”

Ah cara! Ele é um herói que conseguiu driblar os meus problemas e lida com meu pânico com a maior paciência, amor e carinho do mundo. Mas, eu tenho crises de pânico com ele também e acho que ele está me julgando também. Hoje em dia isso diminuiu bastante, mas no início do namoro, foi muita coisa julgada errada da minha parte. Além disso, ele chegou pouco depois do problema começar, então é mais fácil lidar com ele.

Sem contar que, o fato dele ser bem mais novo, dos nossos tipos físicos serem diferentes (eu sou gorda e ele é magrelo) e termos sido julgados por isso não facilitou muito, na verdade, isso até agravou um pouco a minha fobia social e eu tenho sérios problemas pra lidar com situações sociais em que pessoas, que eu sei que não aceitaram muito bem o nosso namoro, vão estar presentes. Obviamente, porque eu sei que em algum momentos essas pessoas me julgaram.

“Mas você tem medo o tempo todo?”

Na verdade não, eu já cheguei a passar quase dois meses sem me sentir assim. Cheguei até a acreditar que finalmente tinha me livrado desse inferno na minha vida, mas aí eu tive uma recaída séria. Ser comparada com uma “tábua de salvação” não é fácil pra ninguém, mas a gente se esforça pra superar, não é mesmo?

Algumas coisas bem tensas no antigo lugar que eu trabalhava também não ajudaram muito.

“E por que você resolveu expor isso agora?”

Bom, então, porque eu preciso e quero vencer isso e, talvez ter uma vida social “normal” ajuda a resolver uma parte desse problema. Mas ainda não tenho certeza de nada, eu vinha tentando esse método e estava parecendo dar resultados. Eu tive uma recaída esses dias, mas acho que se continuar tentando eu vou conseguir superar isso.

Acho que não tenho muito mais a escrever sobre o assunto. Então, é isso.

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