quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ECC - Capítulo DOIS




A Terceira Sinfonia de Beethoven estava sendo executada no violino por um solista pouco conhecido, num teatro pouco conhecido, para nenhuma plateia. Mas ele estava realizado fazendo aquilo, pois aquilo nenhum outro fazia, apenas ele e isso o fazia se sentir especial e não uma simples réplica ou cópia malfeita. O som de passos lentos e firmes, seguidos por palmas, pausadas, para dar um ar sarcástico a coisa, estragavam a plenitude do seu momento, mas ele não se deu ao trabalho de interromper, ele sabia quem estava ali e que, se fosse mesmo importante, ele o interromperia a qualquer custo.

ECC - Capítulo UM



O dia estava cinzento e densas nuvens se formavam no céu, prenunciando uma chuva que não tardaria a chegar. O vento estava forte e fazia barulhos que pareciam querer dizer algo, como um murmúrio de alguém que nos confidencia algo. E lá estava ele, parado, na esquina, trajando seu terno preto, impecavelmente bem passado, com sua camisa branca, que não parecia ter qualquer mancha, sua gravata vinho, minuciosamente ajustada em seu pescoço, com um nó quase milimetricamente perfeito, ele olhava para o relógio impaciente, enquanto fumava seu charuto. Ele não queria ter de esperar por mais tempo, pois a chuva poderia vir logo e isso iria molhar sua roupa e seu fumo e ele odiava quando qualquer um dos dois molhava, muito menos, ambos.